segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Vendas, amarras e outros disfarces

Imagens, sons e palavras que se misturam: um silêncio profundo, de perfeição requintada pelo tempo. Como um vulcão adormecido...

Um som, uma imagem, uma palavra, uma pessoa, para o fazer despertar.

Amarras: cabeça, tronco, braços e pernas que lutam para se libertarem. E a mente, que se recusa a adormecer...

Agitação, inquietude perene: lágrimas em asfixia, que teimam em não correr, e um coração amordaçado, encurralado pelo tempo.

Até quando te recusarás a ousar? De quantos mais tombos precisarás para te levantares de vez? Ou te entregares e descansares, enfim...

Até quanto insistirás em manter a venda que trazes nos olhos? Essa venda gasta pelas estações que continuas a colocar rotineira e irreflectidamente, como quem penteia o cabelo ou esfrega os dentes a cada manhã, para te afastar dos sentimentos?

Qual o dia em que despirás a carapaça? Para quando esse momento em que te despojarás do supérfluo, de todas as distracções, e falarás finalmente, genuinamente, por ti? Quantas mais mágoas te custará a fuga à libertação de seres tu? Crú, por inteiro, aberto ao mundo e batendo com vontade...

És o rei do disfarce. São tantos e há tanto tempo que esqueceste se sabes de onde vieram. Sabes que sempre estiveram lá e, por mais voltas que dês, não há meio de lhes conseguires fugir.

Tudo, absolutamente tudo. Fazes qualquer coisa pra não teres que te despir diante de outros e evitar, assim, que te descubram as feridas e se riam do teu ridículo.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Nunca se sabe...


São tão estranhas as coisas do amor que não se compreendem por inteiro.
Tem de se estar sempre a fazer suposições.
Nunca se sabe como e até que ponto a até quando.

Esta obsessão chega para impedir a vida, o amor pode impedir o amor, amaldiçoá-lo como um espectro.

Nos Teus Braços Morreríamos
, Pedro Paixão

domingo, 7 de dezembro de 2008

Desafio

1. Agarrar o livro mais próximo.
2. Abrir na página 161.
3. Procurar a 5.ª frase completa.
4. Colocar a frase no blog.
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro! Utilizar mesmo o livro que estiver mais próximo.
6. Passar a 5 pessoas.

"Deve ter um montão de lixo referente ao seu passado; descarregue-o".

Eu juro que não fiz batota... "Coragem - A alegria de viver perigosamente", de Osho.
O livro que estava mais próximo dos que não têm menos que 161 páginas.

Obrigada, Lothlorien!
E agora venham a Luzia, Miam, Sam, Meg e Íris.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Real love

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Taciturno (2)

Quando, entre duas pessoas, quaisquer palavras são vãs depois da intensidade dos sentimentos um dia partilhados.

Como se nada pudesse acrescentar-se à eloquência do olhar, do toque ou da vida que em tempos desvendaram em conjunto.

Taciturno

adj (lat taciturnu)

1 Que por natureza fala pouco.
2 Calado, silencioso.
3 Tristonho, sombrio.
4 Macambúzio, sorumbático, carrancudo.
5 Lúgubre.

(Michaelis)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O grande absurdo:





Mais aqui. (Lothlorien, obrigada pela dica).

Porque há alturas em que, mais do que nunca, a ironia é irresistível...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Paixão

Contigo, eu já não sou eu.

Saio de mim e vou para o jardim brincar.

Contigo, toda eu sou verde e um sorriso na cara.

As estrelas, lá no alto, não me lembram mais o quão tudo poderia ser bom.

Contigo, volto ao recreio e corro, dou cambalhotas, salto à corda e jogo ao lenço.

O Sol não brilha para me fazer pirraça.

Contigo, volto a ser quem não me lembrava de alguma vez ter sido.

A vida é uma experiência libertadora de ideias criativas a pôr em prática.

Contigo, tudo se transforma a velocidade alucinante.

Os dias não se repetem, nada é igual.

Contigo, eu estou fora de mim e sou genuínamente eu.

A vida faz, finalmente, algum sentido.

Contigo, rio com verdadeira vontade.

O meu corpo levita e anseia pelo teu abraço.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Voar mais alto

Não fiques na praia
com o barco amarrado,
e medo do mar.
Tudo aqui é miragem,
mas na outra margem
há alguém a esperar.

Como a onda que morre,
sozinha na praia,
não fiques brincando.
No mar confiante,
ensina o teu canto
de uma ave voando.

Voa bem mais alto,
livre sem alforge
sem prata, nem ouro.
Amando este mundo,
esta vida que é campo,
e esconde o tesouro.

Ninguém te ensinou,
mas no fundo tu sentes
que tens asas para voar.
Nem que o céu se tolde,
e as nuvens impeçam,
tu não vais parar.

Há gente que vive
Tranquila e contente,
como eu já vivi.
És águia diferente,
céu azul cinzento
foi feito para ti.

Voa bem mais alto,
livre sem alforge
sem prata, nem ouro.
Amando este mundo,
esta vida que é campo,
e esconde o tesouro.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Lei da terra


Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra.

Porque a minha força determina a passagem do tempo.

Eu quero.

Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo.

Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio.

Que quero.

Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre.

Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer.

Porque a minha força é imortal.


in Cemitério de Pianos
José Luís Peixoto

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Há muito, muito tempo... (3/3)

É tempo de partir e lutar e correr muito, correr pelo mundo fora à procura de mais alguém, de toda a gente!

É agora, vou gritar contigo, prepara-te... É isso mesmo, vamos gritar juntos, vamos cantar! E depois, quando já estivermos cansados, falamos do passado, e do presente, e do futuro, e fazemos planos, mesmo que não sejam para cumprir, contamos recordações, partilhamos medos, memórias, mostramos fotografias, e depois, quem sabe, se nos apetecer até podemos ir juntos a uma aula de ioga e respirar, respirar, respirar!

É tempo, é momento, é instante, é agora!

De mudar, de ouvir, de falar, de escutar, de murmurar, vislumbrar, de filosofar, de "poetar", como dizia a senhora simpática da casa de poesia do Sr. Pessoa.

Ele que, aliás, e se não me engano, sentia o "transbordar dos dias" e viveu a vida "em cada entrega alucinada", como diz a cantora Mafalda Veiga, que por sinal até escreve umas coisas bastante acertadas.

Há muito, muito tempo... (2/3)

É tempo de sentar no chão. Sentar no chão e sentir o frio da pedra, o quente do cobertor, de rir e de vibrar com uma gargalhada e com o calor e o conforto de um abraço muito demorado e bem, bem, bem apertado.

É hora de dar as mãos, é agora! De sonhar, de buscar a essência, de partir e lutar. De correr por gosto, de correr, correr, de cansar, de gostar do cansaço, de gostar, gostar, de cantar, gritar!

É tempo de apreciar, chegou a hora.

De sentar no chão. De sentar no chão e olhar para o outro que também ali está, e de conversar com ele. De partilhar com ele o cobertor, de nos deitarmos a olhar as estrelas e a contar piadas pela noite dentro, e de rirmos juntos, de rirmos muito, de chorarmos a rir, e de nos confortarmos com o quentinho do cobertor naquele chão frio, e de no fim disto tudo darmos um abraço forte, ainda mais quente que o quentinho do cobertor.

Há muito, muito tempo... (1/3)

É a hora, é agora, é a Hora!

Hora de mudar, de viver, de Ser!

De parar, de respirar, de inspirar bem fundo até a barriga inchar, como se de uma aula de ioga se tratasse, de expirar com toda a força, de forma a ouvir-se o som do ar a ser expelido pelo nariz.

De parar. Parar para nada, parar para o nada... Parar por parar.

É tempo de olhar. É tempo de ver os nadas, os pequenos nadas, mesmo ali ao lado, em frente, por cima, debaixo, cá dentro...

É tempo de sentir. Parar para ver. Ou não parar, mas sentir!
Sentir, sentir, sentir!! O Sol na janela, os acordes da guitarra, a água gelada na pele, a gargalhada, a lágrima a escorrer de emoção pelo rosto, ele, ela, todos!

domingo, 12 de outubro de 2008

«Sei em quem pus a minha confiança»

Confia em Deus.

Não te inquietes com as dificuldades da vida.
Pelos seus altos e baixos, pelas suas decepções, pelo seu futuro mais ou menos sombrio.

Quer o que Deus quer.

Oferece-lhe no meio das inquietações e dificuldades o sacrifício da tua alma simples, que aceita os desígnios da sua providência.

Pouco importa que te consideres um frustrado se Deus te considera plenamente realizado, a seu gosto.

Perde-te confiando cegamente nesse Deus que te quer e que chegará até ti, mesmo que nunca o vejas.

Pensa que estás nas suas mãos, tanto mais seguro, quanto mais decaído e triste te encontres.

Vive feliz. Vive em paz.

Que nada seja capaz de tirar-te a paz.
Nem o teu cansaço. Nem as tuas falhas.
E no fundo do teu coração coloca tudo aquilo que te enche de paz.

Por isso, quando te sintas desanimado e triste,
Adora e confia.

(Teilhard de Chardin)

domingo, 5 de outubro de 2008

Para animar...




Some things in life are bad,
They can really make you mad,
Other things just make you swear and curse,
When you're chewing life's gristle,
Don't grumble,
Give a whistle
And this'll help things turn out for the best.

And...Always look on the bright side of life.
[whistle]
Always look on the light side of life.
[whistle]

If life seems jolly rotten,
There's something you've forgotten,
And that's to laugh and smile and dance and sing.
When you're feeling in the dumps,
Don't be silly chumps.
Just purse your lips and whistle.
That's the thing.

And...Always look on the bright side of life.
[whistle]
Always look on the right side of life,
[whistle]

For life is quite absurd
And death's the final word.
You must always face the curtain with a bow.
Forget about your sin.
Give the audience a grin.
Enjoy it. It's your last chance, anyhow.

So,...Always look on the bright side of death,
[whistle]
Just before you draw your terminal breath.
[whistle]

Life's a piece of shit,
When you look at it.
Life's a laugh and death's a joke it's true.
You'll see it's all a show.
Keep 'em laughing as you go.
Just remember that the last laugh is on you.

And...Always look on the bright side of life.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Não existe
piedade
para aquele que hesita.

MAIS TARDE SERÁ TARDE
E JÁ É TARDE !

O tempo
apaga tudo

menos
esse

Longo indelével
rasto

que

o não-vivido
deixa.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Mudar (3)



Não creias, Lídia, que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher.
Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.
Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa.
Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo

Sophia de Mello Breyner Andersen

Mudar (2)


Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Desmanchar e fazer...

Dwayne: I wish I could just sleep until I was eighteen and skip all this crap-high school and everything-just skip it.
Frank: Do you know who Marcel Proust is?
Dwayne: He's the guy you teach.
Frank: Yeah. French writer. Total loser. Never had a real job. Unrequited love affairs. Gay. Spent 20 years writing a book almost no one reads. But he's also probably the greatest writer since Shakespeare. Anyway, he uh... he gets down to the end of his life, and he looks back and decides that all those years he suffered, Those were the best years of his life, 'cause they made him who he was. All those years he was happy? You know, total waste. Didn't learn a thing. So, if you sleep until you're 18... Ah, think of the suffering you're gonna miss. I mean high school? High school-those are your prime suffering years. You don't get better suffering than that.

[de «Little Miss Sunshine», Jonathan Dayton e Valerie Faris, 2006]



... tudo é aprender

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Minimercado

Entro, dirijo-me determinada ao pacote de açúcar e vou começar a escolher os limões quando começa a tocar isto.

Primeiro pensamento: "So 90's!".
Segundo: "Sempre adorei esta música..."

Por acaso já repararam no brilhantismo desta letra(*)?

Desvenda-me o teu lado mausão
O túnel secreto a loja de horrores
A arca escondida debaixo do chão
Com poeira de sonhos e ruínas de amores

Eu hei-de te amar por esse lado escuro
Com lados felizes eu já não me iludo
Se resistir à treva é um amor seguro
À prova de bala à prova de tudo

Mostra-me o avesso da tua alma
Conhecê-lo e tudo o que eu preciso
Para poder gostar mais dessa luz falsa
Que ilumina as arcadas do teu sorriso

(*) Avé Carlos Tê!

Digam o que disserem, o interesse não é real enquanto não há vontade de conhecer os fantasmas da outra pessoa. É aí, precisamente na vontade de descobrir o outro para além do que costuma mostrar, que tudo começa.

Mas o que acontece quando esse alguém parece mostrar logo tudo a qualquer pessoa?

Acreditamos que é mesmo tudo o que tem para mostrar?
E como confiar nele, se não selecciona à partida as pessoas a quem revela o seu lado lunar?
...
_______
Ps: Os limões têm vitamina C, que ajuda a absorver o ferro não-heme, e o açúcar foi usado por mãos experientes para fazer um doce de tomate que ainda não provei.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Mudar...

Por detrás da confiança, a dúvida. O medo...

Oh, mirror in the sky, what is love?
Can the child within my heart rise above?
Can I sail through the changing ocean tides?
Can I handle the seasons of my life?

Well, I've been afraid of changing cause ive
Built my life around you
But time makes you bolder
Even children get older
And I'm getting older, too

(Landslide, The Smashing Pumpkins)

domingo, 7 de setembro de 2008


Possas tu sempre ser
Um Homem Novo, sem preconceitos,
Possas saber amar,
Ver no espelho os teus próprios defeitos.
Possas tu ter os ombros fortes

Para aguentar o peso da liberdade
E o coração de leão
Para não teres medo de encarar a verdade.
Deixa-as viver, meu irmão...

Fá-las brilhar, meu irmão...
Ainda há estrelas no teu olhar.

Jorge Palma