«Detenhamo-nos um pouco sobre esta palavra.
É necessário explicar em que sentido a entendemos porque, para o mundo em geral, ela é sinónimo de futilidade (...).
Todo o indivíduo é portador de "dinamismo", de forças, de aspirações, que o pressionam a ir mais além, a crescer. Nós sabemo-lo bem, é como que um apelo que existe no coração de cada homem; desde a nossa primeira infância, antes mesmo do nosso nascimento, ele está presente:
o apelo da vida.
Nunca estamos satisfeitos com o que somos; temos desejos de descobrir novos horizontes, de conseguir um trabalho mais interessante, de sermos mais livres, de conseguirmos melhores possibilidades para nos exprimirmos, para criar, para amar. Cada vez que realizamos um destes desejos secretos, sentimo-nos felizes. (...)
Por outro lado, vivemos num certo quadro espacial, temporal, institucional, cultural. Há sempre, de uma maneira ou doutra, um confronto entre os dinamismos da pessoa e as realidades do seu meio de vida.
É neste confronto que o homem se desenvolve.
Para crescer, a criança tem ao mesmo tempo necessidade de exprimir os dinamismos que traz em si mesma (lutar, construir, etc.) e de descobrir o que a rodeia, explorando-lhe as possibilidades ou os obstáculos.
É disto que nasce o Jogo».
in Baden-Powell Hoje - Pistas para um Educador no Escutismo