quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Estou aqui...

Não, não desisti do blog, nem me aconteceu nada. Tenho só andado com muita preguiça pra escrever... Parece que nem tenho tema.

O que tenho feito? Um pouco de tudo e nada que possa realmente ser relatado. Sim, vi o Slumdog e gostei muito, mas também não foi assim nada de extraordinário; não, não comemorei o Carnaval, mas mascarei-me pra um raid de sustos com os Lobitos, o que vai dar mais ou menos ao mesmo; sim, estou à procura de trabalho, mas não, não tenho mandado muitos cv's...

Quando digo que estou "à procura" quero dizer isso mesmo: que ando à procura e não encontro, não sei onde está, o que é, por onde anda... Onde me perdi. Estou, definitivamente, num momento estranho.
Sinto-me bem como nunca senti antes, e no entanto a aparência da minha vida não podia ser mais caótica. E isto é problemático, senão reparem: não tenho como partilhar a minha alegria com quem me rodeia! Como se prova que estamos bem - melhor do que nunca, até - se não se tem trabalho? Como se explica a alegria e felicidade interior numa situação em que todos assumem que devemos estar super tristes, deprimidos, preocupados??

Calma, eu tenho noção da realidade, não sou nenhuma lunática. E a questão é precisamente essa: se calhar conheço-me muito melhor do que a maior parte de vós se conhece a si próprio, daí ter conseguido chegar a este ponto em que posso encarar de frente o que realmente interessa. Vocês, que insistem em atormentar-me... Parece que se ficam apenas pela superfície.


Anyway... Vim aqui pra contar-vos, caros leitores, que hoje fui a um sítio que me diz muito e onde já não ia há meses... Sim, estou a falar de praia. Não de uma qualquer - uma em que já passei grandes momentos de Verão com amigos e família, ao longo de vários anos, em diferentes fases da vida.

Fui sozinha e de forma inesperada. Uma tarde sem grandes compromissos, uma placa na estrada a apontar o caminho e... 'Bora!



Cheguei, a areia deserta, e uns quantos corpos tipo pinguim sentados em pranchas dentro de água, lá ao fundo. A temperatura, amena; o Sol, de um amarelo quente como nos fins de tarde de Verão. Escolhi cuidadosamente o sítio - ao cimo das dunas, numa zona ligeiramente cavada, pra me sentir mais confortável -, sentei-me e descalcei-me calmamente: primeiro os ténis, depois as meias e... Ahhhh como adoro a sensação da areia quente a tocar os pés!

Depois, encostei-me pra trás e dormitei com o Sol a bater-me confortavelmente na cara, qual nadadora exímia que repousa finalmente depois de sair de uns valentes mergulhos no Oceano em plena tarde quente de Agosto.
Na minha mente, muitos momentos por que passei naquele sítio... Os risos e gargalhadas com os amigos mais chegados, entre batatas fritas, gelado, uma cartada e todos os mergulhos refrescantes; as piadas parvas contadas ao sabor do som das ondas e da chegada do pôr-do-sol, entre a roda pra jogar vólei e aquele mergulho de que nunca abdico mesmo ao fim da tarde...
Os momentos mais tranquilos em família, com cada um a ler o seu livro e eu de phones nos ouvidos, prolongados até que a luz já não permite distinguir as gaivotas pousadas na areia; as tardes plácidas de Outubro, passadas pura e simplesmente na contemplação das ondas, nos dias em que o calor do Sol já não basta pra arriscarmos um mergulho no mar...

Enfim... Tantos e tantos momentos, tão perto e tão longe. É isto que quero dizer com fase estranha: vibro com estas recordações dos bons momentos, como se gostasse tanto de voltar atrás, de poder voltar àquela idade, àquela fase... E, no entanto, sei bem que nunca estive tão perto da felicidade como agora. Sou agora muito mais a pessoa que sempre quis ser e, no entanto, parece que tenho saudades da pessoa que fui...
Será que me estou a despedir? Será que sempre fui feliz e não sabia? Será que me vou arrepender desta mudança?

É paradoxal... É absurdo... Mas hei-de perceber o que se passa.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pensar, comunicar, agir


Sempre pensei muito e sempre acreditei que queria ser jornalista.

Não há dúvida de que, se sou boa em alguma coisa, é a pensar, a reflectir, a analisar, a pesar os prós e os contras, a ver as várias faces de uma mesma questão - tudo qualidades que, ensinam-nos na escola, um jornalista deve ter.


O acto de analisar é, de facto, algo que me dá prazer. Acho que tem a ver com uma noção de equilíbrio e harmonia, com a ideia de que a razão nunca está apenas de um lado. No entanto, quando levada ao extremo, e dependendo do tipo de assunto em causa, a análise torna-se bastante cansativa... Extenuante, até.

Por exemplo: reflectir sobre questões mais ou menos abstractas é sempre mais agradável que analisar aspectos prosaicos do dia-a-dia - é que o concreto, além de ser por norma mais enfadonho, é sempre mais cheio de nuances, logo torna-se mais difícil chegar a uma conclusão!

Por outras palavras, a certa altura da vida comecei a tomar consciência de um problema decorrente da minha suposta capacidade de análise: a dificuldade em passar à acção.

Reflectir é, de facto, muito bonito e pode levar-nos a conclusões bastante interessantes, mas passar da teoria à prática, que é bom, isso já é outra conversa!... A incerteza pode tornar-se paralisante, sobretudo se tivermos consumido grande parte das energias de que dispomos a analisar tudo antes de fazermos.

Chegando a este ponto, acho que se percebe que, aos meus olhos, o meu ofício de "sonho" tenha começado a assumir cores algo diferentes...

- Sim, é verdade, os jornalistas têm uma visão ampla da realidade, têm que saber um bocadinho de todos os temas porque podem ter que escrever sobre qualquer coisa, mas de que é que sabem realmente?

- Sem dúvida, conhecem imensa gente dos mais diversos quadrantes, de gestores de bancos e empresas, a voluntários de ONG's, a pessoas anónimas que diariamente trabalham para construir um mundo ou uma vida melhor, mas... E eles? Fazem o quê além de relatar a vida dos outros??

- Ok, ok, são "observadores privilegiados da realidade" porque no contacto com toda essa gente se apercebem como ninguém das tendências da sociedade - mas de que é que isso lhes serve para além de lhes dar um assunto sobre o qual escrever??

No fundo, não serão os jornalistas aqueles tipos que "falam falam falam" mas a quem não vemos fazer nada?

Ou será verdade que, como li no outro dia num livro sobre Ética da Comunicação: "Comunicar não é algo que fazemos porque não podemos, não sabemos ou não queremos fazer alguma coisa: comunicar é agir"?

Hummm...


... Será que me estou a tornar uma oportunista?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

"Quem me dera que sejas ...

_ _ _

... para perceberes como eu tenho razão!"

Sem Batota! Adivinhaste?

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O arrepio

Vem de dentro, este frio que de súbito me assalta.
Sim, fico em pele de galinha, os pêlos dos braços não me deixam mentir. Mas é de dentro que vem... Do vazio. E, por mais casacos, luvas, cachecóis, que acumule sobre o corpo, não há meio de alcançar o conforto da temperatura amena.
"Com esta gabardine estou bem melhor, mas ainda me falta uma golinha para tapar o vento que sopra bem em direcção ao pescoço" - penso. E "quem sabe, com estas meias de última geração e esta camisola polar, os arrepios se vão de vez".
Mas não, eles continuam. Estão é melhor disfarçados... E, por vezes, consome-me o medo de que as camadas de roupa me impeçam de descobrir a raiz desta desregulação de termostato!
Até quando, este Inverno rigoroso?? Como combater a contracção muscular constante por ele provocada e que se instala mais profundamente (irrevogavelmente?) a cada dia que passa (e já passaram tantos!...)?
Afinal, posso algum dia agarrar outra Primavera?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Do poder das palavras...

Gosto muito de palavras. Não é que me considere muito eloquente, mas poucas coisas me dão tanto prazer como brincar com as palavras... Há algo de belo subjacente ao acto de pegar nelas e as encaixar umas às outras, de as usar para traduzir pensamentos, ideias, sentimentos.

O trabalho de edição é-me inevitável... A busca da melhor conjugação semântica e sintáctica - aquela que melhor espelhará aquilo que me vai na mente ou na alma - é quase obsessiva, mas o prazer que experimento ao ler o resultado final compensa quase sempre o sofrimento causado pelo perfeccionismo.

E porquê? Acho que a chave está no prazer da descoberta. Ao escrever, descubro muitas vezes uma parte de mim ou do mundo que até então desconhecia. Organizo ideias e sentimentos. Muito mais que os exteriorizar, trago-os à tona desde o turbilhão da vida, faço luz sobre uma parte de mim. E nunca deixo de me surpreender!

Acredito, por isso, no valor do rigor: quero dizer, no respeito pelas regras linguísticas e na fidelidade máxima à mensagem que pretendo transmitir. Habituei-me a exigi-lo de mim própria há já muitos anos, até que, mais que uma imposição, se tornou uma necessidade.

O que estou a tentar dizer é que acredito realmente, por experiência própria, que aprender a escrever, a articular, enfim, a fazer uso da Língua para nos expressarmos, nos ensina a pensar.

Longe de se limitarem a reflectir o nosso pensamento, as palavras disciplinam o nosso intelecto e, assim, dão-nos a chave para podermos aceder aos nossos sentimentos.

O que me conduz à pergunta:

Se todos conseguíssemos expressar-nos melhor (ie, fôssemos rigorosos em relação à gramática e aos nossos sentimentos), será que os mal-entendidos deixavam de ser protagonistas das nossas vidas?

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Desafiada

Directamente da Lothlorien para o Estrelas, o desafio definido por estas regras:

- Linkar a pessoa que te indicou
- Escrever as regras do desafio
- Contar seis coisas aleatórias sobre si
- Passar a 6 blogs
- Ir aos blogs avisar que foram indicados


1* Quando era pequena escondia-me dos estranhos (e até de alguma família) atrás das pernas da minha mãe

2* Sempre quis ser escuteira, até que há quatro meses atrás... foi de vez!

3* Tenho na janela do quarto uma colcha a fazer de cortinado desde que me mudei, há 7 anos atrás

4* Gosto de pensar que se não tivesse desistido do ballet depois do 4º ano, hoje podia ser uma grande bailarina

5* Uma das minhas frases célebres é: "Não gosto de batatas, não gosto de batatas, não gosto de batatas! Só gosto de batatas fritas, pronto!" (com uns 5 anos, ao tentarem impingir-me puré)

6* Outra frase que ficou célebre foi qualquer coisa como: "Os homens querem-se patuscos!"

[* Certificado de Garantia de geração aleatória]


E agora, peço imensa desculpa, mas os poucos bloggers que conheço já foram desafiados, portanto as últimas duas partes do desafio ficam pra outra altura!