O que tenho feito? Um pouco de tudo e nada que possa realmente ser relatado. Sim, vi o Slumdog e gostei muito, mas também não foi assim nada de extraordinário; não, não comemorei o Carnaval, mas mascarei-me pra um raid de sustos com os Lobitos, o que vai dar mais ou menos ao mesmo; sim, estou à procura de trabalho, mas não, não tenho mandado muitos cv's...
Quando digo que estou "à procura" quero dizer isso mesmo: que ando à procura e não encontro, não sei onde está, o que é, por onde anda... Onde me perdi. Estou, definitivamente, num momento estranho.
Calma, eu tenho noção da realidade, não sou nenhuma lunática. E a questão é precisamente essa: se calhar conheço-me muito melhor do que a maior parte de vós se conhece a si próprio, daí ter conseguido chegar a este ponto em que posso encarar de frente o que realmente interessa. Vocês, que insistem em atormentar-me... Parece que se ficam apenas pela superfície.
Anyway... Vim aqui pra contar-vos, caros leitores, que hoje fui a um sítio que me diz muito e onde já não ia há meses... Sim, estou a falar de praia. Não de uma qualquer - uma em que já passei grandes momentos de Verão com amigos e família, ao longo de vários anos, em diferentes fases da vida.
Cheguei, a areia deserta, e uns quantos corpos tipo pinguim sentados em pranchas dentro de água, lá ao fundo. A temperatura, amena; o Sol, de um amarelo quente como nos fins de tarde de Verão. Escolhi cuidadosamente o sítio - ao cimo das dunas, numa zona ligeiramente cavada, pra me sentir mais confortável -, sentei-me e descalcei-me calmamente: primeiro os ténis, depois as meias e... Ahhhh como adoro a sensação da areia quente a tocar os pés!
Enfim... Tantos e tantos momentos, tão perto e tão longe. É isto que quero dizer com fase estranha: vibro com estas recordações dos bons momentos, como se gostasse tanto de voltar atrás, de poder voltar àquela idade, àquela fase... E, no entanto, sei bem que nunca estive tão perto da felicidade como agora. Sou agora muito mais a pessoa que sempre quis ser e, no entanto, parece que tenho saudades da pessoa que fui...
É paradoxal... É absurdo... Mas hei-de perceber o que se passa.


