quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pensar, comunicar, agir


Sempre pensei muito e sempre acreditei que queria ser jornalista.

Não há dúvida de que, se sou boa em alguma coisa, é a pensar, a reflectir, a analisar, a pesar os prós e os contras, a ver as várias faces de uma mesma questão - tudo qualidades que, ensinam-nos na escola, um jornalista deve ter.


O acto de analisar é, de facto, algo que me dá prazer. Acho que tem a ver com uma noção de equilíbrio e harmonia, com a ideia de que a razão nunca está apenas de um lado. No entanto, quando levada ao extremo, e dependendo do tipo de assunto em causa, a análise torna-se bastante cansativa... Extenuante, até.

Por exemplo: reflectir sobre questões mais ou menos abstractas é sempre mais agradável que analisar aspectos prosaicos do dia-a-dia - é que o concreto, além de ser por norma mais enfadonho, é sempre mais cheio de nuances, logo torna-se mais difícil chegar a uma conclusão!

Por outras palavras, a certa altura da vida comecei a tomar consciência de um problema decorrente da minha suposta capacidade de análise: a dificuldade em passar à acção.

Reflectir é, de facto, muito bonito e pode levar-nos a conclusões bastante interessantes, mas passar da teoria à prática, que é bom, isso já é outra conversa!... A incerteza pode tornar-se paralisante, sobretudo se tivermos consumido grande parte das energias de que dispomos a analisar tudo antes de fazermos.

Chegando a este ponto, acho que se percebe que, aos meus olhos, o meu ofício de "sonho" tenha começado a assumir cores algo diferentes...

- Sim, é verdade, os jornalistas têm uma visão ampla da realidade, têm que saber um bocadinho de todos os temas porque podem ter que escrever sobre qualquer coisa, mas de que é que sabem realmente?

- Sem dúvida, conhecem imensa gente dos mais diversos quadrantes, de gestores de bancos e empresas, a voluntários de ONG's, a pessoas anónimas que diariamente trabalham para construir um mundo ou uma vida melhor, mas... E eles? Fazem o quê além de relatar a vida dos outros??

- Ok, ok, são "observadores privilegiados da realidade" porque no contacto com toda essa gente se apercebem como ninguém das tendências da sociedade - mas de que é que isso lhes serve para além de lhes dar um assunto sobre o qual escrever??

No fundo, não serão os jornalistas aqueles tipos que "falam falam falam" mas a quem não vemos fazer nada?

Ou será verdade que, como li no outro dia num livro sobre Ética da Comunicação: "Comunicar não é algo que fazemos porque não podemos, não sabemos ou não queremos fazer alguma coisa: comunicar é agir"?

Hummm...


... Será que me estou a tornar uma oportunista?

2 comentários:

Anónimo disse...

Pode ser. E se realmente te tornares uma e resultar, avisa aqui a amiga lol Nunca serás uma verdadeira oportunista. Tens demasiado bom fundo :)

rodericum disse...

talvez anseies apenas por um pouco de acção, talvez estejas cansada de um certo tipo de rotina

jornalista é um ofício fixe

ganharam o festival o ano passado? mas os que foram ao palco eram só 2 se bem me lembro.

pode ser que a gente se encontre lá este ano, até lá ainda falta arranjar uma música para entrar no festival

para a semana vou pensar numa letra