Gosto muito de palavras. Não é que me considere muito eloquente, mas poucas coisas me dão tanto prazer como brincar com as palavras... Há algo de belo subjacente ao acto de pegar nelas e as encaixar umas às outras, de as usar para traduzir pensamentos, ideias, sentimentos.
O trabalho de edição é-me inevitável... A busca da melhor conjugação semântica e sintáctica - aquela que melhor espelhará aquilo que me vai na mente ou na alma - é quase obsessiva, mas o prazer que experimento ao ler o resultado final compensa quase sempre o sofrimento causado pelo perfeccionismo.
E porquê? Acho que a chave está no prazer da descoberta. Ao escrever, descubro muitas vezes uma parte de mim ou do mundo que até então desconhecia. Organizo ideias e sentimentos. Muito mais que os exteriorizar, trago-os à tona desde o turbilhão da vida, faço luz sobre uma parte de mim. E nunca deixo de me surpreender!
Acredito, por isso, no valor do rigor: quero dizer, no respeito pelas regras linguísticas e na fidelidade máxima à mensagem que pretendo transmitir. Habituei-me a exigi-lo de mim própria há já muitos anos, até que, mais que uma imposição, se tornou uma necessidade.
O que estou a tentar dizer é que acredito realmente, por experiência própria, que aprender a escrever, a articular, enfim, a fazer uso da Língua para nos expressarmos, nos ensina a pensar.
Longe de se limitarem a reflectir o nosso pensamento, as palavras disciplinam o nosso intelecto e, assim, dão-nos a chave para podermos aceder aos nossos sentimentos.
O que me conduz à pergunta:
Se todos conseguíssemos expressar-nos melhor (ie, fôssemos rigorosos em relação à gramática e aos nossos sentimentos), será que os mal-entendidos deixavam de ser protagonistas das nossas vidas?
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
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