quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Pendente

Não sei o que diz o dicionário, mas tomemos algo pendente como uma coisa inacabada que é preciso terminar.

Este é um daqueles conceitos que à primeira vista parece totalmente insignificante. Para uma criança, não deve ter qualquer significado; para um adolescente, talvez se possa referir aos TPC's.

No entanto, tal como eu o vejo, é um conceito que se vai enchendo de significado ao longo da vida, embora talvez a maioria das pessoas não tome (ou não queira tomar) consciência disso.

Nos anos '90, corria entre as adolescentes portuguesas o hábito de fazer inquéritos em cadernos a serem preenchidos pela(o)s amiga(o)s. Uma das perguntas recorrentes era: "Qual o teu maior medo?". Lembro-me de alguma vez ter respondido ou lido algures a seguinte resposta: "De um dia não conseguir dormir por ter a consciência pesada".

Sou só eu, ou isto faz mesmo todo o sentido?? A vida tem as suas coisas e esta é, de facto, uma delas. Só não percebo por que ainda não inventaram a sinaléctica adequada pra avisar do perigo, assim tipo reclames luminosos a piscar repetidamente.

Sim, já passei por isso, e não o desejo a ninguém. É realmente um dos riscos que corremos ao viver. Outro é, por estas e por outras, ir ficando com "assuntos pendentes" que, sem darmos por isso, um dia nos fazem olharmo-nos ao espelho e não reconhecer a pessoa que vemos. E que, mesmo muito tempo depois, de feridas saradas e com uma nova vida pela frente, podem sempre voltar a assaltar-nos, e com toda a legitimidade.

E depois... Fazer o quê? Seguir em frente como se não fosse nada e poupar-nos ao sofrimento? Ou recuar um pouco para acabar de vez com o esqueleto no armário? Como se isso fosse possível... E conseguíssemos mesmo controlar todo o processo sem nos vermos no meio de um turbilhão de nós e encruzilhadas...

2 comentários:

rodericum disse...

sei que não é muito profundo, mas o melhor que posso é transcrever um texto conhecido:

"You can spend minutes, hours, days, weeks, even months over analyzing a situation. Trying to put the pieces back together justifying what could've, should've, would've happened. Or you can just leave the pieces on the floor and move the fuck on."

siri disse...

:) concordo com isso. mas continuo a achar que há alturas em que analisar é necessário e pode ser muito útil... acho que a sabedoria maior é mesmo saber adequar a solução à situação em causa.